Por Anderson Goulart
Podemos
caracterizar como patrimônio histórico arquitetônico qualquer edificação
que represente parte da história local de uma cidade ou município. Para
um historiador ou uma pessoa que tenha algum conhecimento sobre
História, a primeira coisa que se destaca quando se faz uma visita a
algum lugar são os prédios históricos ou as construções que de alguma
forma representem ou trazem em suas características pistas sobre a
história da localidade visitada e de seus habitantes. Sendo assim, esses
patrimônios despertam o interesse e instigam a procura por mais
informações sobre o lugar, e representam a materialização da cultura de
uma localidade, além de trazer em suas características e no estilo a
história das pessoas que o construíram. Por exemplo, a igreja matriz de
São João Batista da cidade de Penha-SC, permanece preservada exatamente
como foi construída em 1759. Feita no estilo barroco colonial português,
muito parecido com o das igrejas de Minas Gerais e Bahia, essa igreja
foi construída por migrantes açorianos que fugiram de Desterro durante a
invasão espanhola na ilha de Santa Catarina, e que encontraram na
localidade de Itapocoroy (no atual município de Penha) um local seguro
para viver. A localidade ainda conserva além das características
materiais as culturais, o conhecido modo de falar e os tradicionais
trabalhos em rendas e na pesca.
É digno também de
nota o trabalho realizado no município de Florianópolis, que busca cada
vez mais preservar seu patrimônio histórico, buscando formas
sustentáveis de se preservar os monumentos e manifestações culturais,
atraindo os turistas interessados na sua história, nos seus costumes e
em sua culinária. Infelizmente, em nossa região, mais especificadamente
nas cidades de Criciúma, Jaguaruna e Tubarão, os patrimônios não são
vistos com tão bons olhos pelas autoridades. São conhecidas as histórias
e frequentes os casos de descaso, demolições e abandono de prédios que
são verdadeiras testemunhas da história local, e que fazem a importante
ligação entre a população e sua identidade cultural.
Podemos retomar o
exemplo das igrejas, já que durante muito tempo toda a vida social,
política e econômica das cidades girou em torno da vida religiosa e da
igreja como ponto de encontro. Por ser o centro da vida urbana, foi a
partir das igrejas que as primeiras construções, pertencentes às
famílias mais importantes surgiram. Por exemplo, em Jaguaruna os prédios
históricos mais importantes se encontram nas redondezas da igreja,
assim como em Tubarão estão próximos a praça 7 de setembro e da
catedral, e em Criciúma nas proximidades da praça Nereu Ramos. É
exatamente essa localização privilegiada nos centros urbanos que faz dos
prédios históricos o maior alvo das construtoras, além da idéia errônea
de que o progresso se faz com a substituição do velho apelo novo.
Os maiores e mais
tristes exemplos dessa torpe teoria são as demolições da igreja matriz
de Jaguaruna e da catedral de Tubarão. Ambas aconteceram por volta da
década de 70 e aconteceram pelo mesmo motivo: era necessária a
construção de um tempo maior, visto que era preciso acomodar melhor o
crescente número de fiéis. Foi nessa “brincadeira” que duas construções
centenárias, que representavam perfeitamente a história do município e
seus costumes vieram abaixo, e isso foi só o começo. Buscando acompanhar
o crescimento e querendo modernizar a cidade, outros prédios, casas e
palacetes históricos importantes foram substituídos pelas atuais
construções.
É evidente que
não podemos ser contra o progresso, ou esperar que tudo continue para
sempre como está, pois o mesmo não pode ser parado, apresentando um
ritmo frenético e constante. Ë claro que nossa cidade deve se
modernizar, que novas construções devem surgir e a paisagem mudar, mas o
que não deve nunca deve ser deixado de lado é a preservação do
patrimônio histórico, pois ele representa a materialização da nossa
história e da identidade cultural coletiva. A perda do patrimônio
representa a perda da história e da identidade, o que pode ser
preocupante, pois a história do nosso município e do local onde moramos é
única e insubstituível, e a destruição das suas representações
materiais representa o esquecimento de parte da nossa identidade
cultura, e esquecer nossa cultura é esquecer quem somos.
Infelizmente o
que já foi destruído está perdido para sempre, restando apenas o
eventual registro iconográfico e a memória particular daqueles que viram
com seus próprios olhos determinado monumento. O que nos resta fazer é
reconhecer a importância do patrimônio remanescente, conscientizar a
população de sua importância coletiva, mudando a concepção antiga de que
coisa velha não tem importância e cobrar das autoridades responsáveis a
correta preservação de tudo aquilo que tiver relevância para a história
coletiva e da região.
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